domingo, 13 de maio de 2012
DO NOT CONFORM
Desde o início do mês que não escrevia aqui ...
Hoje, apetece-me ...
Interrogações perseguem-me.
Não entendo, nem ninguém entende a razão pela qual pessoas com tanto para dar aos outros, pessoas cujas vidas fazem tanto sentido, são tão importantes, tão boas no que fazem, partem mais cedo ...
Deixam a sua obra incompleta e nós ficamos com este sentimento de perda, impotentes, querendo mais.
E a consciência dessa impossibilidade, sufoca-me!
Todos os seres são importantes, para quem deles gostam. Outros não tanto, são os que os outros não gostam.
Mas todos esses são os seres comuns, como eu, como muitos de nós.
Quando partirmos, só os que nos rodeiam é que sentirão falta, não deixamos nada de marcante e admirável.
E olho para as nossas vidas, e para as que tento adivinhar e é tudo tão estranho.
E é estranho porque somos estranhos no que fazemos, no que somos.
Preocupamo-nos com o nosso mundinho e achamos que tudo gira à volta dele.
O nosso conceito de solidariedade é ostensivo e por isso muitas vezes o mesmo se transforma naquela abominável caridadezinha.
As causas a que aderimos, são as causas que não dão grande chatice, que não mexem muito com a nossa vida e com o que programámos para ela.
Há excepções, há sim. Mas as excepções são daqueles que têm muito para dar aos outros, cujas vidas fazem sentido e que são importantes, deixam obra.
E continuo a interrogar-me, o que será que nos moverá, a nós povo deste Portugal, para abraçarmos uma grande causa. O que nos fará sair das nossas vidas e tentarmos abraçar a vida de todos.
Andamos tristes, desiludidos, olhamos para o que deveria ser o nosso futuro ou dos nossos e não descortinamos. Estamos apáticos, adormecidos, à espera ...
Muitos de nós, têm uma vida de merda mas criticam quem luta por algo!
Talvez por que a sua vida ainda não foi tocada, sabe é que o vizinho, o colega, o amigo, o familiar está numa má situação. Coitado, dirá ...
Ouve dizer que estar no desemprego, poderá ser uma oportunidade na sua vida, ouve dizer que há quem esteja farto de crises artificiais, sabendo que tudo isto é mentira e não faz nada?
Ouve dizer "eu não minto, eu não engano, eu não ludibrio", sabendo que esse alguém já disse coisas tão diferentes no tempo e não se faz nada?
O que nos moverá, afinal? O que é preciso mais para sermos um todo, para fazermos algo por todos nós, para que as nossas vidas façam sentido em colectivo e deixemos de dar razão a quem nos apelida de "tugas" que sempre considerei ter um sentido pejorativo, remetendo-nos a seres inferiores a outros povos.
Um país, onde numa manhã se queimaram oito toneladas de velas ... esperando um milagre para a vida de cada um ou onde se agradece o que se pensa ter acontecido por milagre!
terça-feira, 1 de maio de 2012
Parabéns
É verdade! Sou uma grande piegas ...
Sempre com a mania de que sou uma Mulher forte e afinal ...
Hoje é dia 1 de Maio, queria dar-te os parabéns e não consigo!
domingo, 29 de abril de 2012
Miguel
Foto de Paulete Matos
Marisa Matias disse "Vamos fazer o que o Miguel pediu".
Fizemos!
E o impensável, aconteceu ...
Uma homenagem com a simplicidade, mas também com a dignidade que o Miguel merecia.
Esta tarde Miguel, eu sei que sorriste ...
Embora uma lágrima de emoção te tivesse escorrido pelo rosto ...
Viste como conseguiste juntar todos ali?
E não foi só no espaço que escolheste, era pequeno Miguel, subestimaste o número dos que gostam de ti!
Não é sonho Miguel, tens razão, temos capacidade para fazer um Mundo muito melhor ....
Mas isso foi hoje, por ti.
Amanhã, terá que ser diferente!
Amanhã, tu sabes Miguel, teremos que continuar a lutar ... por esse Mundo Melhor!
sábado, 28 de abril de 2012
Será?
Se frequentemente perdêssemos alguém de quem gostávamos, seríamos seres melhores?
Será que continuaríamos a aceitarmo-nos tão naturalmente como somos?
Será que as perdas consecutivas não nos fariam pensar diferente?
Será que a vida não é assim tão má que nos poupa consecutivamente ao sentimento de perda?
Ao longo da vida, vamos perdendo, com muitos intervalos ...
O tempo cura tudo.
Fica a lembrança
Prosseguimos
Tocamos a vida para a frente
É a vida dizemos nós ...
E voltamos a ser quem sempre fomos.
Nós, quem mais poderíamos ser?
E um dia, chega o nosso dia
Aquele em que já não há mais nada a perder ...
E tudo gira e torna a girar, vem a lembrança, prossegue, toca para a frente, é a vida Amigo!
terça-feira, 24 de abril de 2012
Miguel Portas
Que privilégio foi conhecer-te, ser tua camarada, partilhar a tua vivacidade, a tua energia!
Esse teu olhar, esse teu sorriso, essa afabilidade como só tu possuías.
Quando me referia a ti, invariavelmente me saía "o Miguel é um querido"!
E é isso que sempre serás, um querido camarada que recordarei até ao último dos meus dias.
Até um dia destes, Miguel ...
domingo, 15 de abril de 2012
O Abatedouro
Quando em grupo nos sentamos a uma mesa para saborear uma refeição, daquelas que temos todo o tempo do mundo, invariavelmente a conversa vai bater na crise, no que tínhamos e já não temos, no que fazíamos e já não fazemos, no que nos está a acontecer e no que ainda nos poderá vir a acontecer, enfim, revoltas pessoais.
Talvez por que normalmente não encaixo nas diferentes opiniões, manias minhas, remeto-me ao silêncio e observo ...
Constato então que, quem nos tem alternadamente governado, tem todos ou bastantes defeitos. Em resumo, por estas ou por aquelas razões, não estão a satisfazer os intentos de quem analisa.
Quebro o silêncio e pergunto : e que tal escolher outra alternativa?
Quase em uníssono, respondem-me com uma pergunta ... o quê votar neste ou naquele, havia de ser bonito!
E é aqui que eu sinto, algo de profundamente aniquilante, eles são mais e eu só me tenho a mim própria.
E é aqui que eu sinto, ainda mais profundamente, a ilusão da minha liberdade de escolha.
Hoje sinto assim, mas também sei que amanhã, será outro dia ...
sábado, 14 de abril de 2012
Os monarcas no seu melhor ...
Enquanto o povo espanhol se debate com uma crise imensa e uma taxa de desemprego como não há memória, situação que não é exclusiva da Espanha como se sabe, a monarquia entretem-se a caçar elefantes no Botswana.
Perguntamo-nos de que vivem estes monarcas? Claro está que é do erário público, da força do trabalho de muitos que proporciona a diversão a estes inúteis reizinhos.
E enquanto os reizinhos das monarquias e das repúblicas se divertem e às vezes se aleijam, nós o povo alimentamos alegremente esta gente, pagando cada vez mais impostos, vivendo na maior das austeridades, para que eles se divirtam e aproveitem a vida ao máximo!
Por vezes, até lamentamos combalidos, com um ar muito compreensivo, que o netinho desse um tiro no pé e o avô, com 74 anos, fracturasse a anca a caçar elefantes!
Enquanto crianças, cantámos inocentemente "se um elefante incomoda muita gente ..." decerto pela sua grandeza, quem caça elefantes incomoda muito mais ...
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